25/12/09

everybody but me.

passeio pela casa. encontro revelações de quando era miuda. à mesa fala-se de mortes, de assaltos e da economia do país.. mantenho-me calada absorvendo cada expressão que observo. relembro essas feições há uns anos atrás, quando a minha visão era ainda menos consiente. falo sobre isso. de repente ergue-se o silêncio. olham-me duma maneira enferrujada, como se concordassem com a minha perspectiva. levanto o assunto que começa a ser discutido. a minha avó fala-me de como era eu em criança, de como era quando vivia com ela. orgulho-me das minhas lembranças e temo esquece-las. são momentos já velhos, como se estivessem descritos numa folha de papel gasta, presa por uma ponta a um livro empoeirado, que já nem contracapa tem. sorrio. fui feliz, sim. sorrio como se tivesse sessenta anos e acabara de recordar os anos de faculdade e de inicio de independencia, que ainda estarão por vir. é como se perante mim tivesse três fases: o passado, o presente, o futuro. quero fazer deste presente um passado memorável e do passado uma memória saudável. desejo demasiado para sair a perder. quero pessoas fortes comigo, que me apoiem e me ajudem a tomar um rumo. esta é a minha vida. esta sou eu. agora estou triste, amanhã espero não estar. e esta é a linha que traço todos os dias até um dia a tinta se gastar. e até lá, percorro sonhos, enfrento medos, venço batalhas, e sorrio. com as lembranças que são feitas e se tornam mais antigas, mas que nem por isso menos relevantes. e nisto eu digo: amo-te. porque és o apoio que preciso para dar rumo à minha vida.*

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