31/08/10

não sei até que ponto vai o amor. não sei quão forte é o sentimento.
se estou apaixonada, então eu amo.
por isso digo.
amei muitas pessoas até agora.
e nenhuma como tu.
deixa-me amar-te.
a vida é feita de senão's e a melhor garantia que tens é o não.
mas não me conformo
não, não, não. a vida perdeu-se
labirintos de fachada
trapezista endiabrada
cabaret de eloquentes
e loucuras calientes
oprimo-me e ele está ali.
amarelo, foge ao martelo
e no fim
o alibi
salva-o.
e de novo começa a jogada
mal lembrada, nada falada
eu vejo-o, ouço, interajo
enquanto ele foge.
e corre. corre. corre.
é o jogo.
da vida.
e ele..
perdeu- se.
e foi o fim.
game over.
the end,
noite e dia
quente e frio
dia e noite
cheio mas vazio
noite e dia.
ausência aproxima-se,
numa noite de um longo dia
num luar de luz solar.
gelo. congelo.
torno-te apático,
sentimento
distancias-te.
cada vez mais.
elucidas-te.
noite gritada
agora já mal falada
dia cinzento.
face à presença
do vulto calado.
sombrio, cego
vazio.
o triste alegra-se
o alegre entristece.
sento-me convicta que
estaria melhor de pé.
falácias da origem, do conhecimento.
o que é válido, desvaloriza.
perdi. perdi-me.
espelhos numa chaleira
agua em tons de rosa
chuva amendoada
de cristais e corais
janelas endireitadas
pelos portões da esquerda
e no fim, o zero salta.
continua, anoitece.
serões de aguarelas
numa tela de jardim
prende-se no fim,
pára.
uma utopia mal falada,
um fim inacabado.
eu e tu.
ajoelho-me no teu círculo De como o surdo sabor do teu doce grito me tocou frágil e pedinte E aqui estamos no mesmo espelho e vidro Perdidos no cubículo interminável de açúcar e sangue Que nos veste a nós com este tecto, de onde estendes o teu braço, Do limite dos degraus, para mim e esse abismo que se seguiu Do lacerar da minha noite.

Nenhum mar maior que o oásis que forjaste do invisível fogo da tua resignação; São areias brancas trémulas e diante o céu vertical de pedra, caídas.
E qual sol, senão a lágrima que tens na mão Como semente de desespero e, a incobrável lua no seu reflexo.
vou tentar estar mais presente. by: M

<3

30/08/10

quando desapareceste, eu reagi.
por isso volta, volta para aqui.
preciso de ti.
e nem o sabia.
e agora que descobri
está difícil para mim.
preciso-te.

elephant gun

são tantos os actos e as incertezas, tantas teorias filosóficas que se revelam sem tradução, a química e a física juntam-se dando origem a algo difícil de explicação, que nos remete à sua forte sensação e proporciona-nos algo como inspiração. inspiro-me no nada e no vazio, tanto que também aproveito momentos mais activos para usufruir dessa tal disposição. dum modo mais fácil, tenho um poeta escondido, aqui. dentro de mim. que se emociona, que ama e que se condena por este tipo de sentimentos. às vezes retrai-se. não, muitas vezes. e que deseja uma imensa estabilidade, como alguém lhe poderia dar, no entanto. há sempre um senão, já vem na origem. e eu que poderia sempre, e para sempre, ficar aqui a escrever. sinto-me ainda incompleta. e já 17 anos me competem. tenho pouca sabedoria, muita filosofia. muitas incertezas e poucos momentos de pura clareza. e no entanto, este sentimento, este. fala mais alto. os impulsos falam mais alto. e num momento sinto uma ânsia incontrolável difícil de dominar, e no outro, escondo este poeta que se faz negar, e contradiz a sua origem em tom de renuncia. e cá estamos, e cá ficamos. e no fim de tudo, de todos os acontecimentos, quando vou dormir, e apago a luz. penso: será este poeta assim tão grande ou esta alma poderá se esvaziar? não quero viver na penumbra duma vida anti sentimental. para sempre poeta, ainda que infeliz. para sempre.

19/08/10

abre os olhos.
não sonhes no infinito.
abre os olhos.
não te percas nos teus sonhos.
abre os olhos.
enfrenta a realidade.
acalma-te.
inspira.
expira.
não acredites nos sentimentos.
não acredites nos sujeitos.
não dês ninguém por garantido.
abre os olhos.
abre-os.
estão demasiado fechados.
estão demasiado encerrados.
foca-te.
observa primeiro.
e abre. abre os olhos. abre-os bem.

porque. é. que. o. ser. humano. não. é. perfeito. não. facilita. não. se. entrega.
porque. é. que. em. cada. palavra. há. um. ponto.

somos assim tão confusos?
sou assim tão confusa?

..ou simplesmente não vou a tempo de nada.
ando desregulada com o tempo.
e não observo primeiro. ajo por impulso.
não sou perfeita.
ponho um ponto no final de cada palavra.
e continuo de olhos fechados.
a perder-me em sonhos.
em pensamentos.
a acreditar.
sou calma.
mas impulsiva.
enfrento a realidade.
mas tarde demais.
e quando me dizem para abrir os olhos.
ainda os fecho mais.
eterna teimosia, eterno feitio.

17/08/10

those friendships

estranho a maneira de como comunico, num primeiro contacto, com o desconhecido. são tantas as expectativas, um certo entusiasmo invade-nos. escolho bem as palavras para que tudo faça sentido, tento dar-me a conhecer, não em demasia. relaxo na ânsia de poder voltar a falar-lhe, de conhece-lo. são amizades que crio e que nem por isso aparentam durar, só que duram. dias, meses, anos. vou conhecendo cada vez mais pessoas, novas personalidades. gosto de trocar opiniões, partilhar interesses, discutir informações. sabendo que tenho comigo os suficientes, que já me preenchem, ajudam-me a crescer, cada vez mais, não recuso um novo contacto.
têm aparecido algumas pessoas na minha vida, de forma estranha e variada; umas não me agradam, tanto as recuso. é uma atitude bastante presunçosa da minha parte,mas não consigo falar com qualquer pessoa. e no entanto, houve alguém que perdurou.
não percebo como aconteceu, como me deste a volta. talvez tivesse sido a tua paciência, a tua persistência; fizeram frente à minha arrogância de modo a criar uma relação comigo. estranho também, como és tão ausente e tão presente, na minha vida. estranho como, já me conheces sem eu te conhecer. este sentimento, é muito inconstante. tenho medos, e receios. passámos por muitas fases, nestes últimos tempos. e agora, estou eu aqui a escrever, e escrevo sem razões para tal, no entanto insisto, como sempre insisti. ou como o tenho feito. talvez por estar confusa? ou então sei muito bem o que quero.
sendo o tempo tão incerto, e nós condicionados por inúmeros factores, porque é que ainda pondero?
os novos contactos vão aparecendo, das mais diversas formas, e por uma outra razão, eu sinto que preciso de ti.
e este texto mais directo não poderia ser. mas que tenho eu a perder?
são apenas desabafos que mantenho presos no meu pensamento, sem saber a melhor maneira de os transmitir.
já magoei tantas pessoas, já me magoei tanto.
será este tiro no escuro certeiro?
ou criarei outro buraco na parede?
espero. espero. e espero. não fujas, mas também não te prendas.
eu espero até ao momento do meio termo.
se te fosses embora, eu morreria aqui.
és alguém especial, chamo-te de amigo especial.
e aqui cito, aquelas amizades, que começam da forma mais estranha
e por qualquer razão, tornam-se no que te tornaste para mim.
podendo-te tornar muito mais.
M

05/08/10

são dúvidas intermináveis, quando a razão foge à sua origem. é algo como a ânsia de poder ter o imune ao sentimento, são frutos que proíbes quando te levas pelo pensamento que não permite o apelo ao instinto. se te guiasses pelos impulsos que te levam a uma pré acção, quando na minha presença o desejo de me sentires junto a ti te invade e te retrais perante tal, quando me apontas todo o defeito do meu ser e te guias pela confiança que criaste com outro alguém, as repulsas à minha presença e as objecções que me impões, o desejo aumenta, enchendo-se de emoções, cada vez mais. são palavras de afecto que te cheguei a dizer. porém não as sentiste, o que me te fez perder. perdi-te para sempre, e sendo o sempre finito, espero-te e inconscientemente relembro esse doce olhar, avivo memórias passadas que me forçam a parar, querendo-te tocar, percorrer-te com o meu físico, respirar-te de alivio, abraçar-te sem nunca te largar. quero-te uma vez mais; um alguém digno deste ninguém, não desejo que te tornes numa contradição. toda a paixão que em ti depositei, sinto-a como que nem foi em vão; os compassos aumentam o ritmo da batida do meu coração, aumentam de dimensão. tinha algo para ti, para te dar. olha-me nos olhos, diz-me que não me queres. olha-me nos olhos, diz-me que ninguém sou. podes nem acreditar, que tudo o que já senti transcreve o meu texto em si, e tal cena é surreal, nem a loucura é real, como tu não estás afim. iludidos pensamentos, iludidos sentimentos; se nem sempre os segui e tu impuseste o fim, agora é tarde demais. nunca desejaria algo a ninguém, assim. prova-me a convicção com que determinas um final e então não te procurarei mais, nem serei mais sentimental. não sendo tu o mundo em mim, espero então o determinado fim. e então, será o adeus, por qual temo e anseio, temo e anseio(...)

mágoas passadas que se desalinham com o troco do combate entre a tal contradição, do ser e do parecer, que num conflito verbal sobem na consideração de quem nunca tentou subestimar ninguém e no fim houve alguém vitima dessa criação. sim, é uma criação. se o sentimento cresce sem de nada se alimentar, então será ele real? só o instinto carnal opõem-se à fantasia de um mundo virtual, quando o portanto é todo ele banal. serei eu real? vivo na ilusão e quando acordada, fico cansada, ao sonhar, saciada.
serás tu real? cobaia da minha imaginação que te esquematiza num cenário que não te pertence, fazendo com que renda, o fundamental.
aos olhos duma sonhadora encarno a personagem do feliz para sempre, e sempre será assim.


Julho 2010

island blues

We said goodbye
with the smile on our faces
now you're alone
you're so sad on your own
the truth is
we run out of time
now you’re looking for me
or anyone like me


Koop