24/06/10
what a waster.
olho em volta. olho à volta. olho para a volta. olho para ti, olho para mim. olho para o céu, olho para o chão. olho com os meus olhos, olho com o meu olhar. com tantas expressões e só consigo exprimir uma. ainda bem que vejo, ainda bem que tenho olhos. tenho olhado em diversos ângulos, de diversas maneiras. tenho aprendido a olhar. cada vez mais, cada vez mais intenso, cada vez mais profundo. um olhar que dantes, inseguro, agora já um pouco sábio. um olhar que evoluiu e aprendeu, a olhar. que ficou maior e melhor, claro e sólido. porém, tentam cega-lo. de várias maneiras, tentam aprisionar-mo. este olhar, que libertino e fugitivo, não é assim tão intocável. já o prenderam, já o agarraram. já o fecharam. já o manipularam e incentivaram. já lhe impuseram mil obstáculos, e ele, cedeu. essa cedência afectou-o. magoou-o. aprisionou-o. fez-se expressar e tornou físico esse sentimento. sim, as gotas que escorreram por esses olhos, foram sentidas. e ainda são. mas cada vez mais forte, torna-se seguro de si. e essas tais caem cada vez menos, mesmo que sentidas, ficam menos humedecidas. e o olhar, aos poucos, liberta-se. ainda que algo aprisionado, consegue abster-se dessas grades prisioneiras, não olhando para trás, mas sim para lá delas. uma nova expressão começa-se a sentir, e ainda que não seja definitiva, um começo para esses olhos há-de aparecer. uma figura há-de surgir, que lhe assegure a sua liberdade, mesmo que o segure, com a sua simplicidade. sim, é isso. uma figura simples. que se agarre a este olhar também. porque um olhar, vale mais que mil palavras.
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