são dúvidas intermináveis, quando a razão foge à sua origem. é algo como a ânsia de poder ter o imune ao sentimento, são frutos que proíbes quando te levas pelo pensamento que não permite o apelo ao instinto. se te guiasses pelos impulsos que te levam a uma pré acção, quando na minha presença o desejo de me sentires junto a ti te invade e te retrais perante tal, quando me apontas todo o defeito do meu ser e te guias pela confiança que criaste com outro alguém, as repulsas à minha presença e as objecções que me impões, o desejo aumenta, enchendo-se de emoções, cada vez mais. são palavras de afecto que te cheguei a dizer. porém não as sentiste, o que me te fez perder. perdi-te para sempre, e sendo o sempre finito, espero-te e inconscientemente relembro esse doce olhar, avivo memórias passadas que me forçam a parar, querendo-te tocar, percorrer-te com o meu físico, respirar-te de alivio, abraçar-te sem nunca te largar. quero-te uma vez mais; um alguém digno deste ninguém, não desejo que te tornes numa contradição. toda a paixão que em ti depositei, sinto-a como que nem foi em vão; os compassos aumentam o ritmo da batida do meu coração, aumentam de dimensão. tinha algo para ti, para te dar. olha-me nos olhos, diz-me que não me queres. olha-me nos olhos, diz-me que ninguém sou. podes nem acreditar, que tudo o que já senti transcreve o meu texto em si, e tal cena é surreal, nem a loucura é real, como tu não estás afim. iludidos pensamentos, iludidos sentimentos; se nem sempre os segui e tu impuseste o fim, agora é tarde demais. nunca desejaria algo a ninguém, assim. prova-me a convicção com que determinas um final e então não te procurarei mais, nem serei mais sentimental. não sendo tu o mundo em mim, espero então o determinado fim. e então, será o adeus, por qual temo e anseio, temo e anseio(...)
mágoas passadas que se desalinham com o troco do combate entre a tal contradição, do ser e do parecer, que num conflito verbal sobem na consideração de quem nunca tentou subestimar ninguém e no fim houve alguém vitima dessa criação. sim, é uma criação. se o sentimento cresce sem de nada se alimentar, então será ele real? só o instinto carnal opõem-se à fantasia de um mundo virtual, quando o portanto é todo ele banal. serei eu real? vivo na ilusão e quando acordada, fico cansada, ao sonhar, saciada.
serás tu real? cobaia da minha imaginação que te esquematiza num cenário que não te pertence, fazendo com que renda, o fundamental.
aos olhos duma sonhadora encarno a personagem do feliz para sempre, e sempre será assim.
Julho 2010
05/08/10
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