12/10/10

sonhador

sento-me nos desencantos duma alma perdida em insolentes desejos, já esquecida. afoco-me de desolhares, remeto-me à dor escondida que me acata e se emerge numa rampa sem subida, desço num louvo de penitências sem amparos, esta é a ferida que nunca cicatriza, peço forças a uma entidade desconhecida, capaz de me levar à liberdade, que também é já esquecida, e para sempre pretendida. é a mágoa de pensar, a dor de olhar, o mar de suspiro, duma face a lacrimejar. inspiro-me em ti, sonhador. volta para mim, aqui. espero-te, como sempre o fiz.

corroída e estendida nos teus braços o afecto que vendia ficou inacabado de pretensões e protestos de objectos inanimados que dariam força à convicção que utilizaria para cifrar-se dessa paixão. não. tão convicta duma prospera união, assemelham-se os cactos duma planta munida mas ainda com pouca caracterização. é a ligação que se abate numa parede despida, unem-se dois elfos que arriscam desvendar um mistério escondido, e um futuro de incógnitas que se faz aproximar. que me te vale de me seres tanto assim, quando afinal sou já uma estória sem fim, e sempre, sempre o temi. surges sempre numa forma pouco reabilitada, e essa separação, que já tão esperada, imprevista, nada o é. vejo-te sempre assim, em corpos diferentes,imperfeitos. numa mente idêntica, toda ela de defeito, torna-se um deleito, onde o meu olhar, visa apenas o sujeito, todo ele em si. esqueço-me de mim, e do que seria eu sem estes encantos, provoco o desfoque e numa luta árdua pretendo sempre resposta a um porquê. mas insuficientalizas-me do teu parecer, rejo-me numa infelicidade inata que te combata, e assim, um novo ser aparecerá. digno destas frases, digno de um tal charme, que não me esquecerá.

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