17/10/10
tenho estado ausente, ausente de ti, da tua vida. temos uma amizade pouco sólida, pouco sóbria. discutimos muito, e por nada. e na tentativa duma separação, acabamos sempre por falha, como se nada se passasse, como se esses votos de silêncio nunca tivessem acontecido. já tentei largar-te, e não consegui. somos duas mentes caóticas, dumas mentes que colidem, que se juntam, que têm força, somos duas mentes, duas personalidades diferentes, que caíram na indiferença. hoje olho para trás, no dia em que nos juntámos, criámos esta ligação. éramos simples crianças de quinze anos, que ainda se estavam a definir. eras mais básica, como eu o era. não sei o porquê destas nossas manias, não sei o porquê destes desentendimentos. já jurámos para nunca mais, e ainda aqui estamos. as duas. por mais defeitos que tenhas e que eu não goste, há algo em ti que me mantém, que me preocupa, que me entristece e alegra, que me motiva, que me ampara, que me ajuda. tens uma força horrível dentro de ti, tenho medo que te percas. culpo-me em parte por não ter acompanhado estes teus últimos tempos, sei que não estão a ser fáceis, não o estão a ser para ninguém. não me esqueço do que me disseste ontem, fico muito aflita com isso. porque por mais palavras que te diga, já estive perto dessa situação. e quando entro no mais profundo poço, agarro-me sempre a qualquer lado. não sou nem mais forte, nem mais fraca que tu. mas quando te sentires ofuscada, e perdida, agarra-te a mim. nem que não seja para cairmos as duas, ou mesmo para nos levantarmos, porque posso-te garantir que nunca te vou deixar. por mais circunstâncias em que estivermos, só quero que saibas que estou aqui. e gosto verdadeiramente de ti. és-me alguém em quem eu tenho fé, e já me acompanha há muito tempo, tempo esse que eu tenho presente todos os dias da minha vida, e não aguentaria apenas recordá-lo. por isso quero-te comigo, fala comigo, que eu estou aqui.
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