"Plena noite. Céu limpo, madrugada.. à sua volta encontravam-se milhões de pessoas; naquela noite viviam todos para o mesmo. Pairava uma brisa quente, e o suor surgia.., a multidão apertava-se, as lágrimas escorriam pelas faces dos mais sensiveis, o orgulho e a emoção apelavam àqueles que naquela noite sentiram a pura felicidade. Sem condições, junto às grades, aos encontrões, ninguém queria realmente saber quem se encontrava em seu redor... eram tantas as pessoas reunidas, era tanto o contacto fisico.. Penetravam o seu olhar sobre uma visão, sobre um palco. Cantavam, gritavam, pulavam.. A loucura erguia-se e os oprimidos libertavam-se. Era a derradeira triunfa para os mais timidos, para aqueles que nunca se fizeram ouvir. Uma missão, estava realmente concluida. Éramos todos iguais, ninguém se superiorizava perante outrem, naquela noite, todos se ajudaram, todos se respeitaram. Vibrávamos ao som das guitarras, até a voz escacear, até a rouquidão apelar e os nossos pulmões cederem. Ele estava ali, mesmo ao seu lado. Não se deu conta, era um desconhecido. Mal o viu pensou então quem seria aquele ser que em seus olhos pousou o olhar. Ela estava feliz. Pelos milhões que a invadiam estarem focados num só ponto, semelhante a qualquer um. Abstendo-se das preocupações, preencheu o seu pensamento no único ponto comum aos milhares. Certo instante, os dois falaram, aparentemente nada de especial. Quanto a ele, pouco pode dizer. Mas naquela noite preencheu-lhe realmente o coração. A vontade de possuir um estranho fazia-a recuar. Não o conhecia; mas deixou-se levar. Ele agarrava-a, dáva-lhe a mão. Derreteu-se perante aquele feito, e no seu peito encostou-se, com vontade. Surgiu uma intimidade neles deveras estranha, mas perante um olhar preocupado da sua amiga, voltou à realidade: resistiu e recuou. E a partir daí, ele já não quis saber; focou-se na banda que tocava, com fervor. Ela continuou a observá-lo, mas ele foi-se embora. Desapareceu. Desapontada, não soube o que pensar, na realidade já devia estar a espera de tal feito, mas o desejo tornou-se incontrolável e inesperadamente houve uma pontada de espectativa que nunca quis largar. Tarde demais, foi uma noite. Sem outra igual. Não olhou mais para trás, continuou o seu caminho, e no fundo, esperava voltar um dia a vê-lo. Um dia que, ela soubesse quem ele era realmente. O tal S. Dia esse que ainda estará por chegar.
A noite continuou, e, já em casa, não voltou a pensar nele. Adormeceu."
escrito dia 11 de Junho de 2008.
08/08/08
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